A garota dos olhos cor de mel
Verão
A tão esperada festa do fim de semana tinha sido iniciado faz algumas horas. Música alta, muita bebida, pessoas curtindo e dançando para todo o lado.
Alguns estranhos se beijavam apenas pelo puro prazer, outros riam e falavam besteiras, nos fundos uma galera fumando um baseado, e na entrada havia um garoto desmaiado.
E bem no meio da casa, estava ela, com seus olhos cor de mel. Brilhando de um jeito único. Havia sido convidada por alguns colegas e topou ir. Estava dançando tão bem que causava inveja.
Ela não poderia estar mais feliz, afinal estava fazendo o que gosta, com pessoas legais.
Não.
Ela poderia até se enganar, caso quisesse. Estava amargurada, de alguma forma sentia o vazio em seu peito, e havia uma necessidade de completar aquele vazio com alguma coisa.
Embora houvesse muita gente de que ela gostava ali, ela se sentia só.
Perdida em meio a multidão. Vazia mesmo cercada de pessoas ao seu redor.
Apesar de ser uma garota excepcional, com as melhores intenções, ela não tinha um objetivo. Apenas vivia por viver, não existia alguma meta a ser alcançada naquele momento.
Seus pais se preocupavam muito com isso, apesar de ser uma jovem e estar se conhecendo ela nunca demonstrou algum tipo de planejamento para o futuro.
As 4 da manhã seu telefone tocou. Passou um bom tempo vibrando no bolso de sua calça jeans escura. Até que um garoto que passava acabou esbarrando e derrubando-a no sofá.
A garota de olhos cor de mel então checou seu celular.
14 chamadas perdidas de seu pai
Óbvio que isso a preocupou, ela havia avisado que a festa só terminava as 5, e tinha carona com um amigo (que por curiosidade era o inconsciente na varanda). Ela então tentou retonar algumas vezes e ninguém estava atendendo.
Até que resolveu deixar tudo para trás, e foi correndo para sua casa, deixou até mesmo seu salto e apenas seguiu seu caminho. Após alguns minutos de corrida, uma ambulância passou em alta velocidade, indo em direção a seu bairro. Logo após uma viatura da polícia se aproximava na direção que estava indo em direção à festa por reclamações de vizinhos).
O policial então olhou o estado da garota, e logo à reconheceu.
-O quê você faz na rua tão longe de casa essa hora?
-Eu estava em uma festa! Mas já estou indo para casa - Disse ofegante.-Eu te levo para é muito seguro andar só a essa hora!
De algum modo, ela não estava contente. Conseguia sentir que havia algo de errado.
Após longos minutos finalmente chegaram em casa, e a primeira coisa que estava errada ali naquele momento era uma grande ambulância branca na sua porta.
Ela não estava nem um pouco tranquila, correu até a porta, e se deparou com alguns paramédicos em sua sala, sua mãe deitada no sofá e seu pai inconformado.
Ela correu para abraçar o pai, que estava frio. Ela sentiu essa negatividade do pai, que após explicar o infarto repentino de sua esposa, e a preocupação com a filha que estava longe, finalmente foi até a cozinha e pegou um copo de água.
Os paramédicos avisaram que o caso era gravíssimo e necessitaria de uma operação, iriam levá-la para o hospital mais próximo. O pai logo se prontificou a ir junto, e a garota dos olhos cor de mel o acompanhou.
Após minutos conturbados, a mãe já estava na ambulância, todos entraram.
O motorista corria o máximo possível, o pai apenas segurava na mão de sua amada, muito preocupado e abatido.
A filha, não conseguia esboçar reação alguma, ela só temia o pior.
Sua mãe faleceu no início da operação, nada ali poderia ser feito.
Seu pai, aos prantos estava inconsolável, ele gritava e chorava muito. O sentido de sua vida havia desaparecido.
Sentido da vida.
A garota simplesmente não entendia, ela amava tanto a mãe, sempre estava por perto, ajudava o máximo possível e desejava tanto dar orgulho.
Porém não conseguia sentir nada, não conseguia pensar em nada. Seus pensamentos parecim mais confusos que uma tempestade. Após algumas horas ela acabou caindo no sono, e pela manhã seu pai a acordou para levá-la para casa.
O enterro seria pela tarde, e ela não conseguia pensar em nada, só em suas falhas e como era limitada. Ao chegar em seu quarto ela desabou em sua cama e pensou o quanto sua vida era inútil.
Um fato que era mentira, ela radiava luz, ajudou diversos amigos que estavam com problemas seríssimos como depressão, crises nos relacionamentos, perdas, falta de ânimo.
Mas ela se sentia inútil, era como se aquela ajuda fosse algo passageiro e as pessoas voltariam a ficar triste com o tempo. Como se tudo que ela fizesse fosse em vão...
Seus pais pegavam muito no seu pé com relação ao futuro, dizendo que talvez ela poderia ser uma grande psicóloga ou algo parecido. Seu pai nunca mais iria cobrar tanto dela, era sua única filha. Sua luz no fim do túnel.
Com o tempo ele se tornaria mais protetor e cuidadoso, amava mais do que nunca. Aprendeu a dar valor, e incentivava a garota a fazer algo que ela realmente amava.
Era apaixonada por flores, por natureza, ela queria estar sempre em um ambiente agradável, com muita luz. A garota transmitia luz por todos os locais que passava, mas se sentia vazia, seus melhores amigos sempre estavam por perto procurando melhorar seu ânimo.
Porém ela só percebeu o sentido de sua vida cinco anos depois, quando estava saindo de seu emprego em uma botânica, e viu que seu pai se suicidou, ele estava no banheiro jogado ao chão. Ele se sentia morto por dentro faz muito tempo, e a dor de perder a mulher da sua vida era maior que sua esperança no futuro. Ele desistiu.
Após isso, ela viu a fragilidade da vida. E percebeu que o sentido da vida é o relacionamento, com família, amigos, com todas as pessoas que são importantes no seu ciclo.
Ela provavelmente está andando por ai, caminhando, ou então admirando a natureza, ajudando todos aqueles que precisam de uma palavra amiga.
Ela encontrou seu sentido na dor, e não desistiu, mas criou forças para mudar sua realidade.
A garota dos olhos cor de mel criou sua própria razão para seguir em frente.
A tão esperada festa do fim de semana tinha sido iniciado faz algumas horas. Música alta, muita bebida, pessoas curtindo e dançando para todo o lado.
Alguns estranhos se beijavam apenas pelo puro prazer, outros riam e falavam besteiras, nos fundos uma galera fumando um baseado, e na entrada havia um garoto desmaiado.
E bem no meio da casa, estava ela, com seus olhos cor de mel. Brilhando de um jeito único. Havia sido convidada por alguns colegas e topou ir. Estava dançando tão bem que causava inveja.
Ela não poderia estar mais feliz, afinal estava fazendo o que gosta, com pessoas legais.
Não.
Ela poderia até se enganar, caso quisesse. Estava amargurada, de alguma forma sentia o vazio em seu peito, e havia uma necessidade de completar aquele vazio com alguma coisa.
Embora houvesse muita gente de que ela gostava ali, ela se sentia só.
Perdida em meio a multidão. Vazia mesmo cercada de pessoas ao seu redor.
Apesar de ser uma garota excepcional, com as melhores intenções, ela não tinha um objetivo. Apenas vivia por viver, não existia alguma meta a ser alcançada naquele momento.
Seus pais se preocupavam muito com isso, apesar de ser uma jovem e estar se conhecendo ela nunca demonstrou algum tipo de planejamento para o futuro.
As 4 da manhã seu telefone tocou. Passou um bom tempo vibrando no bolso de sua calça jeans escura. Até que um garoto que passava acabou esbarrando e derrubando-a no sofá.
A garota de olhos cor de mel então checou seu celular.
14 chamadas perdidas de seu pai
Óbvio que isso a preocupou, ela havia avisado que a festa só terminava as 5, e tinha carona com um amigo (que por curiosidade era o inconsciente na varanda). Ela então tentou retonar algumas vezes e ninguém estava atendendo.
Até que resolveu deixar tudo para trás, e foi correndo para sua casa, deixou até mesmo seu salto e apenas seguiu seu caminho. Após alguns minutos de corrida, uma ambulância passou em alta velocidade, indo em direção a seu bairro. Logo após uma viatura da polícia se aproximava na direção que estava indo em direção à festa por reclamações de vizinhos).
O policial então olhou o estado da garota, e logo à reconheceu.
-O quê você faz na rua tão longe de casa essa hora?
-Eu estava em uma festa! Mas já estou indo para casa - Disse ofegante.-Eu te levo para é muito seguro andar só a essa hora!
De algum modo, ela não estava contente. Conseguia sentir que havia algo de errado.
Após longos minutos finalmente chegaram em casa, e a primeira coisa que estava errada ali naquele momento era uma grande ambulância branca na sua porta.
Ela não estava nem um pouco tranquila, correu até a porta, e se deparou com alguns paramédicos em sua sala, sua mãe deitada no sofá e seu pai inconformado.
Ela correu para abraçar o pai, que estava frio. Ela sentiu essa negatividade do pai, que após explicar o infarto repentino de sua esposa, e a preocupação com a filha que estava longe, finalmente foi até a cozinha e pegou um copo de água.
Os paramédicos avisaram que o caso era gravíssimo e necessitaria de uma operação, iriam levá-la para o hospital mais próximo. O pai logo se prontificou a ir junto, e a garota dos olhos cor de mel o acompanhou.
Após minutos conturbados, a mãe já estava na ambulância, todos entraram.
O motorista corria o máximo possível, o pai apenas segurava na mão de sua amada, muito preocupado e abatido.
A filha, não conseguia esboçar reação alguma, ela só temia o pior.
Sua mãe faleceu no início da operação, nada ali poderia ser feito.
Seu pai, aos prantos estava inconsolável, ele gritava e chorava muito. O sentido de sua vida havia desaparecido.
Sentido da vida.
A garota simplesmente não entendia, ela amava tanto a mãe, sempre estava por perto, ajudava o máximo possível e desejava tanto dar orgulho.
Porém não conseguia sentir nada, não conseguia pensar em nada. Seus pensamentos parecim mais confusos que uma tempestade. Após algumas horas ela acabou caindo no sono, e pela manhã seu pai a acordou para levá-la para casa.
O enterro seria pela tarde, e ela não conseguia pensar em nada, só em suas falhas e como era limitada. Ao chegar em seu quarto ela desabou em sua cama e pensou o quanto sua vida era inútil.
Um fato que era mentira, ela radiava luz, ajudou diversos amigos que estavam com problemas seríssimos como depressão, crises nos relacionamentos, perdas, falta de ânimo.
Mas ela se sentia inútil, era como se aquela ajuda fosse algo passageiro e as pessoas voltariam a ficar triste com o tempo. Como se tudo que ela fizesse fosse em vão...
Seus pais pegavam muito no seu pé com relação ao futuro, dizendo que talvez ela poderia ser uma grande psicóloga ou algo parecido. Seu pai nunca mais iria cobrar tanto dela, era sua única filha. Sua luz no fim do túnel.
Com o tempo ele se tornaria mais protetor e cuidadoso, amava mais do que nunca. Aprendeu a dar valor, e incentivava a garota a fazer algo que ela realmente amava.
Era apaixonada por flores, por natureza, ela queria estar sempre em um ambiente agradável, com muita luz. A garota transmitia luz por todos os locais que passava, mas se sentia vazia, seus melhores amigos sempre estavam por perto procurando melhorar seu ânimo.
Porém ela só percebeu o sentido de sua vida cinco anos depois, quando estava saindo de seu emprego em uma botânica, e viu que seu pai se suicidou, ele estava no banheiro jogado ao chão. Ele se sentia morto por dentro faz muito tempo, e a dor de perder a mulher da sua vida era maior que sua esperança no futuro. Ele desistiu.
Após isso, ela viu a fragilidade da vida. E percebeu que o sentido da vida é o relacionamento, com família, amigos, com todas as pessoas que são importantes no seu ciclo.
Ela provavelmente está andando por ai, caminhando, ou então admirando a natureza, ajudando todos aqueles que precisam de uma palavra amiga.
Ela encontrou seu sentido na dor, e não desistiu, mas criou forças para mudar sua realidade.
A garota dos olhos cor de mel criou sua própria razão para seguir em frente.

Cara, isso tá muito bom kkk.
ResponderExcluirSó achei que faltaram detalhes, como a morte da mãe, a morte dela foi abordada em só uma linha.
Poderia ter falado um pouco mais sobre como foi a operaçao e talz.
Mas fora isso, tá muito bom lek kkk
Parabéns.
Valeu man!
ExcluirBLOGS SE ALIMENTAM DE COMENTÁRIOS
ResponderExcluirhttps://twitter.com/MathewPortugall/status/987841135027597314