Evolução

O garoto despertou de um longo sono e não foi no sentido físico. Foi como acordar em uma chuva de verão, com o tempo nublado e a terra molhada. Acordou em seu sofá, e começou a pensar. As coisas estavam incertas, assim como elas são. Embora exista a possibilidade de tentar prever coisas e saber que alguma já tem alguns destinos prontos, não há como controlar tudo. O menino aprendeu a questionar, a ter sede de conhecimento. Mesmo se nada fizer sentido na vida, ele não se prende a apenas uma vertente ou uma pequena rotina. 
Mesmo querendo tudo do seu jeito e sendo muito metódico, o garoto procura arriscar. E se nada faz sentido, por que existimos? Por que alguns se preocupam demais e outros simplesmente não ligam para nada? Qual seria o sentido de todo esse esforço?
A felicidade e a tristeza dividem o espaço de seus corações, embora não em medidas proporcionais. Mas nenhuma das duas é ruim, talvez em excesso cause alguns malefícios, mas não dá pra fazer muito a respeito quanto a isso.
Então porque alguns esperam com que algo dê certo? Com que algo mude? Geralmente é mais fácil esperar a mudança de outros do que gerar a própria mudança. Em uma geração de hipocrisia, não se sabe mais o que é certo.
O próprio garoto não sabia o que fazer, ele não queria ser superficial. Não achava isso um problema, ele pensava que cada um deveria viver da maneira que achasse melhor. Mas ele via tantas pessoas frustradas e descontentes com seu próprio modo de viver que sentia a vontade de mudar.
E então ele decidiu ir mais afundo e questionar os próprios sentimentos e o amor.
Esse sem dúvidas é o mais difícil de achar uma resposta, e ele ainda não teve as experiências necessárias para poder realmente elaborar uma resposta realmente válida.
Além disso, ele sabe que mesmo que todos tenham o mesmo destino, e independentes da crença, tem a fé. Se não existisse a fé que em algum momento as coisas seriam melhores, o ser já teria desistido. Afinal, vamos todos morrer um dia não é mesmo?
Ele andava pelas ruas, e se sentia um grande ponto de interrogação.
E então ele viu que não é um caminho fácil esse do questionamento, talvez seja mais difícil que viver em uma bolha. O garoto cada vez mais se sentia confuso com o que pensava e sentia. Como ele poderia se encontrar e se entender?
Mas diziam para ele que é apenas uma fase, e ele realmente se esqueceu disso. Já ouviu dizer que a adolescência é a fase mais divertida da vida, ele não concorda, mas acha que realmente é um período de loucura total.
A mente trabalhava um pouco para a destruição, sempre surgiam pensamentos totalmente egocêntricos. Mas a busca pela verdade das coisas substituía esse tipo de coisa com o passar do tempo.
O tempo. Este sempre passa. Talvez possa parecer simples no inicio, mas é bem complexo. Algumas coisas já foram e outras hão de vir. E o que realmente existe é o presente, que ao termino dessa frase já se tornou passado. O tempo não espera por quem espera por ele. O garoto tentava viver o agora para não se arrepender. 
Muitas das repostas que ele procurava eram pessoais demais para conseguir formular regras e guias. A vida em si é pessoal de certa forma. Ele então buscava se relacionar de forma mais orgânica e menos tóxica com as pessoas. 
O menino se via cheio de incertezas, mas isso tornava seu potencial incerto. Não havia limites. Começou a ver que a incerteza das coisas pode ser bem proveitosa, ele poderia ser quem ele quiser e como quisesse. 

O menino era um ponto de interrogação que não precisava ser moldado, era único pelo simples fato de existir. 

Comentários

Postagens mais visitadas